História de vida
Em comemoração aos 160 anos de Teresina, capital do Piauí, nesta quinta-feira (15), o
TvCanal13 vai contar a história de Adolfo Severo (31), que aos 30 anos de idade decidiu não trabalhar mais para ninguém a não ser para si, momento em que surgiu o “Bucho Cheio”, mini-empresa registrada com CNPJ que vende salgados e sucos em faculdades da cidade.
Imagem: Valciãn Calixto/TvCanal13
Severo e o seu trabalho, o Bucho Cheio: garrafas personalizadas e mini-trailer confeccionado
“Com uma certa experiência, percebi que tinha capacidade suficiente de me manter sem ser empregado de ninguém, após passar por vários patrões que poderiam ser perfeitamente meus funcionários e não o contrário”, diz Severo. Casado há cinco anos, o ambulante conta que a ideia de vender surgiu dentro de casa, “eu e minha mulher disputávamos quem fazia o suco melhor, um dia eu fazia e no outro ela contava que o dela estava melhor que o meu”, lembra.
Querendo botar algo no ramo alimentício e no início tinha tudo para ser ‘quentinhas’, Severo pensou que o lanche seria uma coisa boa, “pensei em pastel com uma fabricação própria dos recheios e o suco que se era bom em casa, seria ainda melhor fora, isso no formato de venda de camelô”, explica.
Imagem: Valciãn Calixto/TvCanal13
Estudantes aproveitam o intervalo para fazer um lanche no Bucho Cheio
"Bucho Cheio"
Ideia montada, salgados e sucos feitos, a coisa precisava de um nome. Bucho Cheio, que segundo Severo, “a expressão era usada pela mãe em casa, quando dizia que menino não ia mais jantar ou almoçar porque já estava de bucho cheio”, simples assim. O pastel custa R$ 1, 25 e o suco também, “todos os sucos são naturais da fruta, essa é a diferença do suco que se tem em outro lugar”, conta.
“E barato”, diz um cliente que lanchava e observava a entrevista. Wallyson é estudante de Direito do Ceut e conta porque costuma merendar no Bucho Cheio, “pela higiene e qualidade”, assegura e brinca no final, “tira foto minha pagando o lanche”, e despede-se.
Imagem: Valciãn Calixto/TvCanal13
Estudante Wallyson pagando o lanche
Apesar de ter controle e saber quantos pastéis vende diariamente, Severo prefere não revelar e diz apenas que a quantidade é segredo, “até pra mulher quando eu chego em casa, ela só pergunta se vendi tudo e eu digo que sim e pronto”, conta entre risos. Os pastéis têm recheios de carne, queijo, frango e calabresa e os sucos atualmente contam com 11 sabores diferentes, dos quais os mais vendidos são os de maracujá, goiaba e acerola, “mas tem também tamarindo, bacuri e outros”, emenda.
Tempo ruim
O período em que o lanche não sai muito é no início do ano. O pequeno empresário, dono do Bucho Cheio, revela que se deve ao fato de os pais dos estudantes, que em sua maioria não têm dinheiro, terem gasto muito com as comemorações de fim de ano, além é claro, dos custos com a faculdade.
Imagem: Valciãn CalixtoClique para ampliar
Você pode encontrar o Bucho Cheio na rede social, endereço: facebook/buchocheio
Teresinense
Severo fala que trabalhou 10 anos de sua vida como camelô e representante comercial itinerante, no Ceará inclusive, vendeu bastante confecção. Como profissional liberal deu aulas de música, pois é formado pelo Instituto Federal do Piauí, antigo Cefet. Atualmente, à noite cursa o 5º período de História no campus Clóvis Moura da Uespi, localizado no Dirceu/zona sul, área onde pretende fixar um dos três pontos que pretende abrir 'mais pro futuro' .
O Bucho Cheio, para quem não curte passar quatro horas assistindo aula de barriga vazia, está pela manhã em frente à Facid, de 7h às 10h30 e a tarde no Ceut, de 14h30 às 18h. Para manter a empresa funcionando, Severo conta que faz uma “magia louca” e acorda todo dia às 4h da manhã sem ter hora certa pra dormir de noite, pois quando chega da universidade, ou tem de ajeitar menino pra dormir ou vai preparar o material para a venda do dia seguinte.
O teresinense, pai de dois “passarinhos”, como chama as crianças, sustenta toda a família apenas com a venda de pastel e suco, que como tantos em Teresina, superam-se a cada dia e contribuem para o desenvolvimento da cidade.
Fonte: Valciãn Calixto
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